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Destaques

Miragaia na pintura de Artur Arcos
11-01-2016

Foi inaugurada na Casa do Infante, na passada sexta-feira, uma exposição de desenhos e pinturas de Artur Arcos sobre Miragaia, organizada pela Câmara do Porto, e que contou com a presença de Rui Moreira.


O pintor (1914 -1987) que nasceu, viveu e morreu nesta zona da cidade, dedicou muito do seu tempo a retratar, através do desenho e da cor, os motivos característicos daquela freguesia ribeirinha. Esta é a primeira mostra organizada do seu trabalho que, até à data, permanecia guardado pela família do autor.


"Ele gostava de focar o nome de Miragaia, freguesia que não era muito conhecida e que ele queria dar a conhecer", referiu Jorge Arcos (filho do pintor) na inauguração, acrescentando que todo o espólio resulta de uma atividade dos tempos livres, não sendo a principal ocupação do pintor.


Considerado um artista popular, autodidata, iniciou a sua obra em 1959, com um painel de 9,20 metros de comprimento, uma vista panorâmica de Miragaia antiga que demorou treze anos a ser concluído. Artur Arcos foi também técnico de artefactos de cimento, empresário e autor de algumas patentes na área da construção, como, por exemplo, o modelo dos degraus prefabricados em cimento armado, que permitem a construção de escadas em caracol.


Nos seus quarenta quadros traduziu ou interpretou velhos usos e costumes portuenses, com um fiel enquadramento de pormenores. Três dos seus quadros são dedicados a Tomás António Gonzaga, Almeida Garrett e Francisco Rocha Soares, personalidades oriundas de Miragaia.


Joel Cleto, historiador, que também marcou presença na inauguração da mostra, destacou a importância da "preocupação quase arqueológica do registo". "O casario de Miragaia está no fundo, porque na segunda metade do seculo 19 foi construído o edifício da Alfândega que cortou a relação que durante séculos e séculos existia entre aquela freguesia e o rio", explicou em declarações ao www.portp.pt.


"Esta exposição acaba por evidenciar isso de uma forma brilhante, todo esse mundo de atividades que se desenvolveram durante tantos séculos e que ainda estavam vivas na memória do pintor: o comércio, o preparar das redes, a seca do peixe".


O gosto de Artur Arcos por pintar e por Miragaia acompanhou-o até ao fim da vida, deixando o seu último quadro inacabado, uma pintura que representa a entrada do Rei D. João I pela Porta Nobre da cidade do Porto.

 

+Info: Exposição Miragaia - o passado e o presente

Artur Arcos

Casa do Infante

Rua da Alfândega, 10 - Porto

Até 14 de fevereiro.

Entrada livre.

 

Horário

Segunda a sexta: 9,30 às 17 horas

Fim-de-semana: 9,30 às 12,30 horas e das 14 às 17 horas

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