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Destaques

Médico Daniel Serrão morreu esta madrugada
08-01-2017
Daniel Serrão morreu esta madrugada, aos 88 anos, vítima de problemas respiratórios decorrentes ainda de um acidente que sofreu há cerca de dois anos. O funeral decorre amanhã, tendo em vida manifestado o desejo que se tratasse de uma cerimónia privada. Hoje, no site deste destacado médico e professor, radicado no Porto, foi colocada uma citação do seu livro "Viver, envelhecer e morrer com dignidade":

"Com a morte de cada homem termina um universo cultural especifico, mais ou menos rico mas sempre original e irrepetivel.

O que o homem deixa quando morre - os seus escritos, os objectos culturais que criou, a memória da sua palavra, dos seus gestos ou do seu sorriso naqueles que com ele viveram, os filhos que gerou - tudo exprime uma realidade que está para alem do corpo fisico, de um certo corpo fisico que esse homem usou para viver o seu limitado tempo pessoal de ser homem."

Daniel Serrão nasceu na freguesia de S. Diniz, cidade de Vila Real de Trás-os-Montes, em 1 de Março de 1928. Em 1944 completou o Curso Geral dos Liceus, em Aveiro, com 18 valores. Antes, frequentou os Liceus de Viana do Castelo e Coimbra. Em Aveiro terminou, em 1945, o Curso Complementar de Ciências, com 18 valores. Em 1951 completou o Curso de Medicina, com média final de 17 valores. Cumpriu o serviço militar obrigatório, de 1951 a 1953, prestando serviço no Hospital Regional n.º 1 do Porto. Casou em 1958 com Maria do Rosário de Castro Quaresma Valladares Souto de quem teve seis filhos (um deles falecido em 1993) e destes tem, actualmente, nove netos.

Doutorou-se em 1959, com 19 valores. Concorreu em 1961 a Professor extraordinário de Anatomia Patológica e foi aprovado por unanimidade. De Outubro de 1967 a Novembro de 1969, esteve mobilizado, em Luanda, prestando serviço no Hospital Militar como anátomo-patologista. Concorreu a Professor Catedrático em 1971 sendo aprovado por unanimidade, assumindo a direcção do Serviço Académico e Hospitalar de Anatomia Patológica.

De 24 de Junho de 1975 até 30 de Junho de 1976 esteve demitido de todas as suas funções em consequência de um saneamento, que foi anulado por decisão do Conselho da Revolução, tendo lhe sido pagos os vencimentos dos doze meses durante os quais foi impedido de exercer as suas funções académicas e hospitalares.

Montou e dirigiu um Laboratório privado de Anatomia Patológica que, de Julho de 1975 até Dezembro de 2002, realizou um milhão e seiscentos mil exames histológicos e citológicos para hospitais públicos e para clientes privados. Foi jubilado em 1 de Março de 1998.