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Livro de Barata-Feyo tira da sombra heróis portugueses na luta contra o nazismo
09-04-2019
Material inédito descoberto após aturadas investigações permitiu ao jornalista José Manuel Barata-Feyo homenagear sob a forma de livro 347 portugueses que lutaram com o nazismo. Foi convidado por Rui Moreira a descobrir e escrever essas histórias, agora apresentadas no Porto.

Apresentado ao final desta segunda-feira no átrio da Câmara do Porto, "A sombra dos heróis" começou a ser gerado há cerca de quatro anos, quando o presidente da autarquia, Rui Moreira, conheceu um vereador português da Câmara de Paris e este lhe falou de tais heróis desconhecidos.

Rui Moreira ficou substancialmente interessado no assunto e, um ano mais tarde, quando lhe foi apresentado Barata-Feyo, percebeu que tinha encontrado a pessoa indicada para a investigação.

Os contornos da génese de "A sombra dos heróis" foram revelados por ambos na sessão de ontem, tendo o antigo repórter falado em dois fatores-chave para ter vindo a escrever o livro: "fui convidado por Rui Moreira e espicaçado pela vergonha profissional de nunca me ter interrogado sobre este assunto". A tenacidade e experiência de investigação acabaram por lhe permitir reunir informação suficiente para publicar esta "pequena mas justa homenagem" aos 347 portugueses que lutaram ao lado da Resistência Francesa contra a ocupação nazi.

A obra conta com prefácio de Rui Moreira, que considera ser este "um livro que nos emociona e que honra a nossa História" ao trazer luz sobre os heróis anónimos que lutaram pela liberdade.

"A sombra dos heróis" é, por isso, um conjunto de histórias desconhecidas sobre os homens e mulheres que combateram os nazis durante a ocupação de França: proporcionalmente, houve mais portugueses do que franceses a combater os nazis. Cidadãos de um país neutro, podiam ter-se adaptado às circunstâncias, mas deixaram o conforto relativo das suas famílias, das suas casas e dos seus empregos, esqueceram o interesse próprio e lançaram-se num combate desigual pela liberdade.

Para conhecer ao longo de 320 páginas, com a chancela da editora "Clube do Autor", a descoberta destes 347 portugueses na Resistência deixou no jornalista a vontade de vir a escrever também sobre os 905 que então se alistaram no exército francês.

José Manuel Barata-Feyo nasceu em 1947 na Serra da Gardunha. Exilado em Paris, cidade onde iniciou a carreira jornalística, trabalhou para o "International Herald Tribune", foi o assistente do diretor para a Europa, África e Médio Oriente do "New York Times News Service" e colaborou com o jornal francês "Libération". Regressado a Portugal, exerceu vários cargos de chefia e direção em jornais, revistas (destacando-se com a "Grande Reportagem") e televisão, nomeadamente na RTP ("Grande Reportagem", "Sinais do Tempo"), tendo recebido vários prémios de televisão e imprensa.

Entre os livros da sua autoria estão o romance histórico "A última missão", o conjunto de crónicas e intervenções sobre os destinos da RTP "O fim anunciado" (temática que levaria à sua saída da estação) e "O grande embuste", focado nas teorias e contra-teorias sobre o obscuro acidente de aviação que vitimou o então Primeiro-Ministro português Francisco de Sá Carneiro e o seu ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, em 1980.