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Instalação da Agência do Medicamento no Porto não terá custos para Portugal
02-08-2017

O presidente da Câmara do Porto garantiu hoje que a instalação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) no Porto, se a cidade for escolhida, "não vai ter custos para Portugal. Isto não é o Euro do futebol. Não vamos construir estádios para receber a EMA", disse Rui Moreira durante a apresentação, em Lisboa, da candidatura do país à relocalização desta agência.


A EMA terá de deixar o Reino Unido em março de 2019, no âmbito do processo Brexit, sendo 19 os estados da União Europeia candidatos à relocalização do organismo.


Na cerimónia de apresentação da candidatura nacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros mostrou-se consciente das dificuldades deste processo. Augusto Santos Silva optou por sublinhar os aspetos positivos: "O Porto cumpre todos os requisitos" para esta candidatura, disse, frisando ainda que é "Portugal inteiro" que se está a candidatar.


Rui Moreira reconheceu que uma candidatura como esta não seria possível há 10 ou 12 anos, pois não contava com os recursos atuais.


Já Ricardo Valente, vereador do Município, apresentou alguns pormenores da candidatura, como os três locais com capacidades para acolher a EMA: Palácio Atlântico, Palácio dos Correios e edifícios a construir na Avenida Camilo.


Entre as várias garantias que as candidaturas tiveram de apresentar constam os lugares em escolas internacionais, uma vez que existem 640 filhos dos quadros da agência que estão em idade escolar, dos quais 90% pré-universitários.


A capacidade hoteleira, a proximidade com o aeroporto e a rede de transportes públicos, além de questões como a segurança e a saúde, foram igualmente consideradas.


Rui Moreira acredita que, na altura de analisar as propostas, o preço das cidades será levado em conta. "O Porto é bastante mais barato do que Milão, que é um fortíssimo candidato", disse.


Para o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, a instalação da EMA em Portugal traria novas oportunidades para os investigadores e peritos nacionais na área farmacológica, além de outros benefícios. Um número considerável poderia, designadamente, integrar a EMA, uma vez que 20% dos atuais funcionários já manifestaram a intenção de não sair do Reino Unido, como recordou Rui Pereira.


O dossiê oficial de candidatura junto das instituições europeias, propondo a cidade do Porto como futura sede da organização, foi entregue na segunda-feira.


O processo entra agora na fase da diplomacia, como afirmou Santos Silva. "O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem doravante a responsabilidade de conduzir este processo", disse o ministro, recordando que em novembro será conhecida a cidade que acolherá a EMA.