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Destaques

"Guilherme Pinto era exemplo de como deve ser exercida a cidadania"
08-01-2017

Presidente da Câmara do Porto diz que o autarca de Matosinhos, que morreu esta madrugada, soube ser independente dentro e fora dos partidos. A alusão é feita na crónica hoje publicada no jornal Correio da Manhã, onde Rui Moreira assina semanalmente uma página. No texto, escrito antes de saber das mortes de Guilherme Pinto e de Mário Soares, o autarca do Porto refere-se, contudo, ao seu congénere de Matosinhos, para elogiar a sua cidadania, "dentro ou fora dos partidos", bem como a "independência", para lembrar que recusou sempre "o carreirismo e obediência".


Na verdade, Rui Moreira usou estas palavras para elogiar também Hermínio Loureiro que, por razões diferentes, deixou também recentemente a presidência da Câmara de Oliveira de Azeméis e do Conselho Metropolitano do Porto.


"Numa sociedade que exige dos que fazem política muito mais do que aquilo que está disposta a dar-lhes, esquecemo-nos tantas vezes de que por detrás de uma figura pública estão homens e mulheres. São pessoas plenas, com dramas e problemas reais e pessoais, com filhos, pais e mães, com irmãos e amigos. E com doenças e desgostos, vontades e idiossincrasias.", escreveu, acrescentando "Perde a classe política, seguramente, porque ambos são exemplo de como deve ser exercida a cidadania, dentro ou fora dos partidos. E ambos são exemplo de independência, recusando o carreirismo e obediência.".


Para Rui Moreira, "a cidadania tem sido frequentemente confundida com independência. E a independência é, não menos vezes, entendida como um statement contra os partidos políticos e contra o próprio sistema político. Acontece que nem a cidadania exige independência nem a independência tem de ser exercida contra o que quer que seja", escreve, explicando: "Por isso, quando em 2013 me candidatei como independente, logo declarei não o fazer contra os partidos políticos, que sempre considerei serem o 'sal da democracia'."


O presidente da Câmara do Porto acrescenta recusar "o discurso demagógico do contra, que mais não é do que um instrumento de divisão da sociedade, e de que se alimentam os populistas" e lembra, a propósito de uma homenagem a Miguel Veiga, "a sua herança cívica, que merece ser estudada e exaltada, mais a mais num mundo onde rareiam os bons exemplos, em que a política se consome muitas vezes na insídia cobarde e maledicente, onde a cidadania oscila entre o apaziguamento abstencionista e a tolerância populista."


Rui Moreira esteve ao princípio da tarde na Câmara de Matosinhos, onde o corpo de Guilherme Pinto se encontra em câmara-ardente, mas não prestou declarações aos jornalistas presentes, como sempre tem procedido em ocasiões fúnebres.