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Fórum do Futuro fecha a edição mais concorrida de sempre e já prepara 2020
09-11-2019
O Cosmos é o limite para o pensamento e é também a base do tema para o festival de pensamento Fórum do Futuro do próximo ano, segundo revelou nesta noite o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, na abertura da última sessão do evento, que levou ao Rivoli o mundialmente consagrado arquiteto David Adjaye.

Rui Moreira apontou o encerramento do Fórum do Futuro como "o momento de balanço" do projeto de cidade que se propõe construir desde que tomou posse para o primeiro mandato, há seis anos, projeto esse de que o próprio Fórum é também uma das principais ferramentas que o autarca idealizou com o falecido vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva.

"Queríamos discutir o futuro e fazer do Porto o local onde se vira as costas ao passado, mas sem o esconder", recordou o presidente da Câmara, felicitando também Guilherme Blanc, diretor de Arte Contemporânea e Cinema da empresa municipal Ágora e um dos curadores desta edição do Fórum do Futuro, aproveitando para anunciar que esta foi a mais concorrida, tendo esgotado a lotação em todos os eventos e tendo ainda registado uma afluência muito variada de público, sobretudo de jovens.

Rui Moreira, para quem o Fórum do Futuro não termina hoje, já que apenas interrompe para recomeçar dentro de um ano, lembrou que o amor pelos povos e o amor pela natureza foram as tónicas dominantes nesta edição, que teve por tema "Travessias / Crossings" e fez abordagens às colonizações e apropriações culturais e de recursos, essencialmente nos casos de África.

A propósito desses fenómenos e do confronto de ideias subjacente, até porque Rui Moreira frisou que "o Fórum propõe discussões fraturantes que nos dividem ou que nos unem" - Guilherme Blanc diria mesmo que estes foram "sete dias de discussão quase compulsiva" - o autarca defendeu que a tolerância é sempre "um ingrediente essencial" no Fórum, mas é cada vez mais escasso na sociedade, considerando que "as especulações são fundamentais".

E foram muitas, por vezes antagónicas, as ideias expostas e debatidas ao longo desta semana por artistas e profissionais das mais diversas atividades e origens geográficas, cuja participação faz precisamente com que o encerramento de cada edição do Fórum do Futuro seja "não o fim de nada, mas o início de um pensamento", como sintetizou ainda o presidente da Câmara.

De resto, o crescente prestígio e alcance deste evento inédito a nível mundial continua a deixar completamente admirado cada um dos convidados estrangeiros das sucessivas edições, sendo que o Fórum do Futuro encerrou desta vez com o arquiteto britânico Sir David Adjaye, nascido na Tanzânia e filho de um diplomata ganês. No Rivoli, conversou com a arquiteta Graça Correia, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, no que foi um reencontro de dois antigos jovens arquitetos que se tinham cruzado em início de carreira no ateliê de Eduardo Souto de Moura.

David Adjaye tem vasta e inusitadamente diversa obra por todo o mundo, dentro da qual se destacam o Museu Nacional de História Afro-Americana, em Washington (2009), a Catedral Nacional do Gana (2018) e o projeto recentemente apresentado do triplo templo que, com a benção dos líderes mundiais das religiões cristã, islâmica e judaica, construirá na cidade de Abu Dhabi e inclui uma igreja, uma mesquita e uma sinagoga ("The Abrahamic Family House"). "Acredito que a arquitetura deve servir para consubstanciar o tipo de mundo em que queremos viver, um mundo de tolerância, abertura e em constante evolução", admite o arquiteto que, indo ao encontro dos objetivos do Fórum do Futuro, terminou com uma provocação: "Quem somos nós para julgar a evolução?".