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Destaques

Fórum do Futuro faz viagem ao passado colonial para debater temas fraturantes
10-10-2019
O ator Danny Glover, a escritora Chimamanda Ngozi Adichie e a cientista indiana Vandana Shiva são alguns dos 52 convidados de 15 países que vêm ao Porto para "uma semana de discussão sobre assuntos fraturantes da sociedade", lançando assim o estímulo para a reflexão individual e coletiva sobre a atualidade e o futuro.

Apresentado hoje em conferência de imprensa pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e pelo diretor da Ágora para a arte contemporânea e cinema, Guilherme Blanc, o programa do Fórum do Futuro - que decorre entre 3 e 9 de novembro - conta porém com vários outros participantes que se destacam a diversos níveis na cena internacional, seja no ativismo, nas artes ou nas ciências.

Sob o tema "Travessias", a sexta edição desta aposta municipal assinala os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães para tocar diferentes pontos do Globo e trazer luz às inquietações sobre o legado colonial.

Assim, entre as conferências, debates, performances, concertos e cinema que ocuparão diferentes espaços da cidade ao longo de uma semana, um dos destaques vai para a presença de Danny Glover que, além de ator sobejamente conhecido, é também um ativista em termos das reparações históricas por fazer a propósito da escravatura.

Mas muitos mais pontos de interesse encerra o Fórum do Futuro, coprogramado por Guilherme Blanc, Filipa Ramos (editora-chefe da agenda de arte e-flux), Gareth Evans (curador de cinema na Whitechapel Gallery) e John Akomfrah (artista britânico). O leque de convidados e o desenho dos temas a focar foram articulados de forma a "pensar processos de ocupação territorial e cultural", analisando os seis efeitos históricos, políticos e culturais. Como apontou Guilherme Blanc, as diferentes sessões vão andar em torno dos fenómenos de domínio de pessoas, de povos e da natureza (induzidos pelas colonizações), debruçando-se igualmente sobre as pistas de libertação que tal suscita.



Assim, o programa - que será aberto pela conceituada escritora de origem nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e pode ser consultado detalhadamente no site do Fórum do Futuro - conta com nomes tão variados como o da líder indígena e ativista ambiental brasileira Sônia Guajajara ou da cientista indiana e também ativista ambiental Vandana Shiva (que liderou um aceso combate jurídico com a multinacional Monsanto). Arthur Jafa, grande figura da arte pop e contemporânea que acaba de ser premiado no Festival de Cinema de Veneza, a cubana Coco Fusco, que virá debater "O insustentável peso da utopia", ou a curadora e historiadora britânica Clémentine Deliss, que trará o manifesto sobre museologia e o direito de acesso às coleções coloniais sequestradas na Europa Ocidental, são outros dos contributos para o debate alargado a realizar ao longo de sete dias.

Concerto na Casa da Música, cinema no Trindade e performances e conversas em Serralves são outros dos ingredientes deste Fórum do Futuro, que conta ainda com o influente arquiteto de origem africana Sir David Adjaye, cuja carreira foi iniciada no Porto com Eduardo Souto de Moura, que falará sobre a importância da história e identidade de cada lugar na sua prática profissional, frequentemente ligada a culturas e à disápora do continente africano.

Refiram-se ainda o projeto especial fílmico que envolve o poeta norte-americano Fred Moten, figura seminal nos estudos afroamericanos e no debate sobre direitos e movimentos de reparação: pequenos clips em vídeo gravados com Moten irão relacionar a sua obra com as temáticas a abordar por alguns dos intervenientes, abrindo as respetivas sessões.

Entretanto, o Fórum do Futuro 2019, que encerra com uma performance multidisciplinar de Crystallmess, no Café Rivoli, contempla desta vez fortes preocupações de cariz ambiental e de sustentabilidade, sendo por exemplo as brochuras impressas em papel reciclado, a carne banida dos menus dos participantes e as emissões de CO2 originadas pelas suas viagens de avião compensadas com a aquisição de créditos de carbono a favor do Projeto Santa Maria, da Amazónia.

A entrada nas sessões do Fórum do Futuro é gratuita, mas sujeita a levantamento de bilhete no dia e no local de cada uma, no máximo de dois bilhetes por pessoas e por sessão.