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Destaques

Festival DDD vai da dança nacional à sueca e passa pela fúria e o funk do Brasil
02-05-2019
A segunda semana do DDD - Festival Dias da Dança foi apresentada ao detalhe num encontro realizado hoje, no Café Rivoli, entre o diretor artístico, a equipa, os coreógrafos e os jornalistas.

O festival, a decorrer entre 24 de abril e 12 de maio, está a promover desde artistas emergentes até coreógrafos paradigmáticos em vários espaços das três cidades da Frente Atlântica. Hoje mesmo, as "Curtas de Dança" revelam um percurso-mostra de três espetáculos "com caráter laboratorial", como afirma Ana Carvalho, diretora do Armazém 22, em Gaia, que recebe o evento ao final do dia. Ricardo Machado fez-se acompanhar da intérprete Mia Distonia para falar sobre Ponto Ómega, um dueto que explora o "conceito de não género". Já o trabalho de Maurícia | Neves trata de um manifesto relacionado com a crise, a sua experiência enquanto trabalhadora-estudante e a "estética do preto como camuflagem".

Por outro lado, a incontornável coreógrafa brasileira Lia Rodrigues apresenta no Teatro Nacional São João um mundo de "Fúria" atravessado por um mar de perguntas sem resposta. Lia Rodrigues prefere chamar a atenção para o atual contexto artístico no Brasil - "Estou aqui a representar todos os artistas que não podem dançar. (?) O Brasil é um país onde é normal matar pessoas e ter comportamentos homofóbicos. (?) Nós falamos 'Ninguém solta a mão de ninguém', estamos todos de mão dada face à situação muito séria que atravessamos".

Ainda no contexto do FOCO BRASIL, Thiago Granato, sediado em Berlim, leva ao Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery o primeiro trabalho da sua trilogia Coreoversações - "convido dois coreógrafos a terem uma conversa comigo como meio". "Treasured in the dark" revela um precioso universo da penumbra. Este é um trabalho que resulta de uma pesquisa coreográfica desenvolvida em diferentes colaborações imaginárias: entre coreógrafos mortos (neste trabalho), vivos (no seu segundo trabalho Trança) e que ainda não nasceram (no seu último trabalho Trr).

Raúl Maia, após uma temporada a viver e trabalhar em Viena, regressa à sua cidade-natal e apresenta no DDD o dueto "The Ballet of Paul Ace and Sunny Lovin" com Thomas Steyaert: "Trata-se de uma comunicação física não representativa - uma interação baseada no corpo onde agora surgem, pela primeira vez no nosso trabalho, objetos".

Já Flávio Rodrigues ocupa o sétimo piso do Palácio dos Correios com "Rúptil | na era dos castigos incorpóreos", uma instalação de esculturas ativada, uma a uma, por performances. O público é convidado a deambular pelo espaço e a descobrir "os materiais que fui encontrando nas minhas caminhadas".

De novo em Gaia, no Auditório Municipal, destaca-se uma estreia da aclamada e misteriosa Tânia Carvalho, desafiada a colaborar com a AZA Companhia de Dança, ou três bailarinas - Paula Moreno, Amélia Bentes e Carla Oliveira - com mais de 45 anos e o que dos seus corpos emerge como potencial para criar uma peça de dança: "Muiças".

A programadora de artes performativas da Fundação de Serralves, Cristina Grande, fala da proposta de João dos Santos Martins "Companhia" - "a partir de uma investigação sobre o trabalho, faz uma reflexão sobre o que isso significa na dança, procurando pensá-la como labor." Uma peça para "públicos e artistas estarem em companhia".

No espaço público, o DDD OUT, continuam as apresentações pensadas para cada local específico e que podem surpreender os passantes.

Corpos em te(n)são

Sábado dia 4 é um dia intenso de programação no centro da cidade do Porto. Se o final da manhã é reservado para o filme "Bixa Travesti", protagonizado pela artista e ativista queer Linn da Quebrada, no Meeting Point o almoço terá sabor brasileiro.

O início da tarde, no mesmo local, será no feminino com o encontro "Mulheres em Te(n)são". Trata-se de uma conversa de artistas mulheres brasileiras (Alice Ripoll, Lia Rodrigues, Linn da Quebrada e Sónia Sobral) sobre o seu contexto de trabalho e a situação artística, social e política na atualidade, moderada por Nayse Lopez, jornalista e programadora do célebre festival carioca PANORAMA.

Para o Grande Auditório do Rivoli, às 19 horas, "Cria" de Alice Ripoll com a Cia Suave reinventa o passinho e o funk das favelas brasileiras a partir do mote "nós é cria, não é criado!".

A noite aquece com o concerto de Linn da Quebrada e prolonga-se noite fora com DJ set de Pininga & BadSista.
Um bilhete conjunto no valor 13 euros está disponível hoje na bilheteira central do Rivoli.

Companhia sueca desafia a gravidade

A encerrar a programação internacional do DDD, o Coliseu Porto Ageas acolhe os suecos Gotenborsoperans Danskompani. Aquela que é na Suécia a equivalente à portuguesa Companhia Nacional de Bailado traz o virtuosismo ao grande público com uma noite dupla. Se em "Autodance", da israelita Sharon Eyal, uma massa de corpos sem género caminha como centauros, em Skid, de Damien Jalet, desafia-se a técnica e resistência dos intérpretes que se movimentam num piso com uma inclinação de 35 graus.