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Fernando Echevarría responde a homenagem com a leitura do seu mais recente e inédito poema
26-02-2019
"O pensamento pensou-se" é o título do poema escrito "nos últimos dias" por Fernando Echevarría e que o poeta partilhou hoje, dia do seu 90.º aniversário, como forma de agradecimento pelas homenagens da Câmara do Porto e do Governo.

Logo após a sessão de inauguração da mostra bibliográfica "Folhas de Poesia - nos 90 anos de Fernando Echevarría", na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Fernando Echevarría recebeu a Medalha de Mérito Cultural das mãos da ministra da Cultura, Graça Fonseca, segundo quem "a leitura dos seus poemas será sempre a melhor forma de homenagear um autor".

Perante uma plateia onde se encontravam o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, o anterior ministro da Cultura e também poeta, Luís Filipe Castro Mendes, o diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, ou a Professora e ensaísta Maria João Reynaud, entre outros, Graça Fonseca defendeu que "a Cultura é o que de nós irá sobreviver" e regozijou-se: "Sorte a da Cultura e da Língua Portuguesa que este filho das duas culturas ibéricas tenha escolhido escrever em Português".

No agradecimento, Fernando Echevarría (filho de pai português e mãe espanhola) afirmou que "poeta que se preze tem por ofício maior preservá-la [à Língua] com zelo obsessivo, aumentando-a em todas as suas dimensões" de modo a devolvê-la, já que - defende - "a Língua é dádiva ao povo inteiro". E, nesse sentido, Fernando Echevarría revelou o seu mais recente poema, inédito:

"O PENSAMENTO PENSOU-SE
até ao fundo de si.
Esse em si aberto à noite,
núbil. E talvez feliz,
mas num ponto turvo, porque
isento de algum confim.

Pensar-se ouviu-se a pensar-se,
Nada, nem ninguém, ali
a não ser a luz da análise
iluminando-se a si.

E à altura fria da noite
e da música. Do atril
de partituras translúcidas.
Analíticas. E, enfim,
fazendo das várias uma
cumulação, concluiu

torrenciar por dentro a fonte
da leitura - esse país
arrefecido da noite,
cujo esquecimento diz
quanto tudo muda. E é móvel
a escuta da noite em si."