Este website usa cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Aceitar
o portal de notícias do Porto.

Destaques

Falta menos de um mês para o regresso da Feira do Livro do Porto aos Jardins do Palácio de Cristal
07-08-2020
A nova edição da Feira do Livro do Porto regressa aos Jardins do Palácio de Cristal, entre 28 de agosto e 13 de setembro. Por toda a cidade, há mupis a comunicar o evento que, este ano, sob o mote "Alegria para o fim do mundo", terá como principal enfoque a valorização da língua portuguesa e da escrita no feminino. Lições, debates, um ciclo de cinema, conversas, concertos ao final da tarde e jazz ao relento, palavra soprada, rádio, oficinas e espetáculos corporizam o programa do festival literário, que este ano acolhe 119 pavilhões na Avenida das Tílias, gizado sob o rigoroso cumprimento das medidas preventivas no atual contexto de pandemia.

Será uma Feira do Livro atípica, por que realizada em ano de Covid-19, mas também com a responsabilidade acrescida de ser ponto de partida para o regresso das atividades culturais da cidade, que têm igualmente de se adaptar às contingências que este novo mundo impõe.

A poeta Leonor de Almeida e a imunologista Maria de Sousa são as duas homenageadas desta edição, numa ode ao poder da palavra no feminino, transversal a toda a programação.

Que começará precisamente com a apresentação da obra da poeta misteriosa Leonor de Almeida, ao segundo dia da Feira do Livro, dia 29 de agosto, pelas 18 horas, no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett (BMAG). "Leonor de Almeida - Na Curva dos Cardos do Tempo (Poesia Reunida)", nasce da reedição dos poemas da autora, pela editora Ponto de Fuga, e das pesquisas e olhar cúmplice de Cláudia Clemente em torno da sua obra e biografia.

Continua a mulher a ser o denominador comum de um programa cultural rico nos domínios da literatura, da poesia, de encontros com a sétima arte, e da aproximação a outros palcos artísticos, da música às propostas de espetáculo.

Lições e Debates

Nas cinco Lições, sempre agendadas aos finais das manhãs de sábado e domingo, o público terá a oportunidade de conhecer heroínas da ficção, a partir da interpretação e análise de cinco convidadas. Entre elas, as mulheres  shakespearianas, "Bovary, Karenina e talvez Capitu" ou "A Menina do Mar e a Fada Oriana". A primeira lição decorre no último domingo de agosto, dia 30, às 12 horas, com Ana Luísa Amaral a partilhar a sua visão sobre "A Guerra dos Sexos? Mulheres em Shakespeare", no Auditório da BMAG.

Haverá também ao longo do evento uma mão cheia de Debates impulsionados por palavras-motor deste tempo: distopia, medo, morte, doença, corpo, casa, diário, planeta, esperança, comunicação na era da técnica (e das fake-news). Participam neste ciclo escritores, dramaturgos, jornalistas e até cientistas do mundo da lusofonia. A estreia acontece no Auditório do Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota, com Gonçalo M. Tavares e Patrícia Reis, e moderação de Pedro Santos Guerreiro, às 19 horas do dia 30.

Anabela Mota Ribeiro e José Eduardo Agualusa regressam como a dupla responsável pela curadoria destes dois ciclos, Lições e Debates.

Cinema e Palavra Soprada

O Ciclo de Cinema, já no ADN da Feira do Livro do Porto, vai uma vez mais associar-se à temática da edição. Guilherme Blanc, diretor de Arte Contemporânea e Cinema da empresa municipal Ágora, desenvolveu-o a partir da antologia de Lynn Hershman. Cinco sessões, sempre marcadas para domingos e terças-feiras à noite, a partir das 21,30 horas, convidarão o público que acorrer ao Auditório da Biblioteca Almeida Garrett (com lugares limitados face ao atual contexto) a confirmar como a obra da artista antecipou visualidades e conceitos que marcam práticas artísticas atuais, testando limites e relações entre o cinema e o "filme de artista", explorando problemáticas culturais que hoje são incontornáveis.

Na noite de estreia, dia 30, há sessão tripla: Seduction of a Cyborg (1994), Vertighost (2017) e Shadow Stalker (2019).

No programa desta edição, coordenado por Nuno Faria, diretor do Museu da Cidade, introduz-se a "Palavra Soprada", mote para Conversas, para a sessão especial da Quintas de Leitura, para os Ecos da Biblioteca Sonora, que ao final das tardes de terça, quarta e quinta-feira levam à Concha Acústica um programa de leituras em volta de autores que se relacionam com as árvores e as florestas. E ainda a Rádio Estação, cuja frequência ecoará em direto na Feira do Livro, dirigida pelo Colectivo Espaço Invisível.

Três conversas, conduzidas pela emblemática voz do radialista Fernando Alves, vão contribuir para adensar a aura mística da Concha Acústica, nos Jardins do Palácio de Cristal. A primeira delas junta Carlos Tê e Germano Silva, no dia 3 de setembro, a partir das 17 horas.

Para os amantes do ciclo poético Quintas de Leitura, dirigido por João Gesta, chega uma sessão especial que promete inundar de poesia o Auditório do Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota. Um verso de Filipa Leal - "Senhor, enche o meu quarto de alto mar" - empresta o título ao encontro fora de portas do ciclo poético, habitualmente instalado no Teatro Municipal do Porto - Campo Alegre, que dará voz a 30 poetas, "mulheres intensas, relampejantes e insubmissas".

Entre livros celebra-se a Revolução Liberal

As comemorações dos 200 anos da Revolução Liberal do Porto entroncam na programação da Feira do Livro. Além das Conversas Situadas no período 1820-2020, que durante as noites de sexta-feira e sábado em que o evento decorre se instalam no Auditório da BMAG, a partir das 21,30 horas, outro ponto alto será a apresentação do livro "1820. Revolução Liberal do Porto", uma edição da Câmara do Porto, da autoria de José Manuel Lopes Cordeiro.

Na sessão, marcada para o dia 28 de agosto, às 16 horas, participam ainda Nuno Faria e a designer Dayana Lucas.

Concertos ao pôr do sol na Casa do Roseiral

Outra novidade da edição de 2020 transporta-se para os Concertos de Bolso, um projeto que conduzirá o público até à Casa do Roseiral, ao final de cada tarde. Com programação dos Maus Hábitos, o programa pretende dar palco a nomes emergentes da cena musical da cidade, reunindo diferentes géneros musicais e gerações de músicos. A cada dia, duas bandas ou artistas sobem ao palco. A estreia é assegurada na data de inauguração da Feira do Livro, a 28 de agosto, com concertos de Aquilo Que Vocês Quiserem (19 horas) e S. Pedro (19,45 horas).

Mas não será este um ato musical isolado. Fruto do atual contexto, o festival literário acolhe nesta edição o acarinhado ciclo Porta-Jazz ao Relento que, em condições normais, se realizaria nos Jardins do Palácio de Cristal durante o mês de agosto, desagregado da Feira do Livro.

Uma vicissitude que acaba por enriquecer ainda mais o programa, com o contributo da Associação Porta-Jazz, que levará as sonoridades do blues e da música soul ao Largo dos Cavalinhos, todas as sextas-feiras e sábados, a partir das 21,30 horas.

No último dia da Feira do Livro, a 13 de setembro, destaque ainda para o concerto de encerramento, com Mário Laginha e Pedro Burmester, no Terreiro da Casa do Roseiral, às 18 horas.

Performances, espetáculos e oficinas

Aos domingos à tarde andarão "Trengos à Solta" na Ilha, performances da companhia Erva Daninha, inseridas no festival de novo circo Trengolas. Na agenda, espaço ainda para oficinas, para um vasto programa infanto-juvenil adaptado às atuais contingências, para exposições e ainda para a presença da Feira da Alegria.

Inês Lourenço e Andreia C. Faria (autora do livro de poesia "Alegria para o Fim do Mundo", mote para a edição deste ano), são as poetas residentes. Já na ponta final do certame partilharão com o público o processo dessa residência, numa conversa marcada para o dia 11 de setembro, às 19 horas, sob moderação de Catarina Santiago Costa.

Nos 119 stands inscritos, representativos de 80 entidades (entre livreiros, editoras, alfarrabistas, distribuidores, e entidades públicas ou privadas), estão garantidas medidas preventivas e de segurança, com a disponibilização de álcool gel e desinfetante em cada espaço. O uso de máscara nos stands e nas interações comerciais é obrigatório e o manuseamento dos livros pelos responsáveis de cada stand será feito com luvas.

Com entrada limitada a 3.500 pessoas de cada vez, a Feira do Livro do Porto, organizada pelo Município do Porto nos Jardins do Palácio de Cristal desde 2014, estará ainda sob a vigilância atenta do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, organismo responsável pela limpeza especial do recinto.