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Destaques

Faleceu o deputado municipal Pedro Baptista, comissário geral das comemorações dos 200 anos da Revolução Liberal
20-02-2020

O deputado municipal independente Pedro Baptista faleceu esta quinta-feira de manhã, repentinamente. Estava a comissariar as comemorações dos 200 anos da Revolução Liberal do Porto. O seu percurso fica marcado pelo grande contributo cívico e político ao serviço da cidade do Porto, que sempre elevou em todos os planos e palcos por onde passou. Tinha 71 anos.


Em 1971, Pedro Baptista fundou o único partido político que a cidade do Porto viu nascer até hoje. Chamou-o O Grito do Povo, marca que gravava em título de jornal a indignação de milhões de portugueses, esgotados de um regime ditatorial que esmagou o país.

Em 1973, preferiu dar-lhe o nome de Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP). Nada que surpreendesse vindo de um deputado municipal independente, convidado por Rui Moreira para integrar a sua lista de candidatos à Assembleia Municipal em 2013 e 2017.

Romancista e ensaísta, doutorado em Filosofia, ao longo do seu trajeto político Pedro Baptista demarcou-se pela liberdade de pensamento, não temendo rótulos, nem o de reacionário, muito menos o de revolucionário. Foi a ele que Rui Moreira endereçou o convite para ser o comissário geral das celebrações do bicentenário da Revolução Liberal do Porto e entendeu-se porquê.

Fica o registo, em vídeo, da sua última intervenção na Assembleia Municipal, na passada segunda-feira.



Breve biografia

Nascido a 20 de abril de 1948, tinha seis anos quando o pai o inscreveu como sócio do FC Porto e o amor à camisola clubística azul e branca foi sempre incondicional, tanto que pertenceu à equipa de futebol B dos juniores, para carimbar a sua passagem pelo relvado das Antas. Abraçou com o mesmo fervor a sua outra paixão, a política, mas neste campo nunca se ateve a nenhum partido. O que norteava Pedro Baptista eram as suas próprias convicções e a intervenção cívica.

Por esse motivo, ainda jovem, em 1971, fundou O Grito do Povo, um jornal operário comunista, que daria origem a um movimento marcado pela geração do fim dos anos 60, pelo pró-China, pelo maoismo, e tantos outros 'ismos'. Em 1973, evoluiu para a Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa, que em muitas apresentações continuou a não dispensar O Grito do Povo como prefixo.

Tudo isto a partir da Foz Velha, em cuja agitação política, Pedro Baptista, desde tenra idade e adolescência, foi convivendo com o lado lunar daquela zona nobre da cidade, mais distante da burguesia, mais próximo do proletariado. Aliás, em 2014, esse percurso ficou retratado no livro memorial "Da Foz Velha ao Grito do Povo", apresentado na Câmara do Porto, que analisa o impacto da revolução cultural chinesa na geração nascida após a Segunda Guerra Mundial.

Este era o terceiro mandato que o investigador da Universidade do Porto, da Universidade do Minho e da Universidade Católica cumpria como deputado da Assembleia Municipal do Porto, sendo que a primeira experiência no palco político remonta ao tempo em que foi deputado independente pelo PS na Câmara do Porto (1993-97), a convite de Fernando Gomes. Foi ainda deputado na Assembleia da República de 1995 a 99, quando era primeiro-ministro António Guterres.