Este website usa cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Aceitar
o portal de notícias do Porto.

Destaques

Estórias em desenho e vídeo da Cascata portuense
05-10-2017

"Cascata" é o título de um projeto de paixão pelo desenho e pela cidade. Num vídeo de três minutos e meio, já a circular nas redes sociais, faz-se a crónica de pormenores que há no cenário.




O Porto quase transborda pelas margens do papel. Insubmisso, abundante, toma as linhas da geometria e faz a sua composição de equilíbrio: nesta "Cascata", como na vida real, o burgo aninha-se junto ao rio para dominar a geografia. Séculos de história erguem-se no horizonte irregular, a Torre dos Clérigos ao centro. Depois são os detalhes; quem se perde neles encontra a cidade inteira. Há namorados e amigos nas escadas do cais, vizinhas à varanda. O que não se vê pressente-se - nas ruas angulosas existe vida esperta. Sempre existiu.


Grafite, tinta-da-china e aguarela. Por esta ordem ganhou contornos e depois cor um trabalho que, ocupando uma folha de 60 por 40 centímetros, implicou "muita preparação, muitas visitas ao local", como nos conta o autor. A Manuel Paulo Teixeira não importava apenas captar o património edificado, mas antes "preencher o desenho com um enredo". As impressões de vida foram surgindo no papel ao longo de meio ano.


Arquiteto de formação, com responsabilidades na configuração do espaço público do Porto, sempre adotou o desenho como "uma forma de organizar o pensamento e comunicar". É uma ferramenta de trabalho, um hábito e um prazer a que se dedica "todos os dias, nem que seja por meia hora. É o meu 'ginásio mental', ajuda-me a relaxar".


Em "Cascata", conta estórias de uma paisagem "bastante presente no nosso imaginário, muito cinematográfica, que cunha ao nível mundial a beleza do Porto. São poucas as cidades que permitem esta visão panorâmica de um ponto único".


O desenho resultou de um processo meticuloso e atento sobretudo à mudança. O cenário "nunca é igual; varia muito ao longo do ano", completa o autor, alguém que gosta dos espaços urbanos sobretudo "pelas vivências que têm, pelo que se passa lá".


Este não é, como se imagina, o primeiro projeto artístico de Manuel Paulo Teixeira. Em vídeo, aliás, já antes partilhara Molhe Foz Porto. No traço está quase sempre esta cidade, onde nasceu e da qual acaba por cuidar por força da profissão: como diz, do Porto é "filho e um pouco pai".