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Equipa de investigadores procura descobrir a verdade sobre os mitos alimentares
08-08-2018
Os ovos que flutuam na água estarão realmente estragados? Será inofensivo comer um alimento que caiu ao chão desde que este seja apanhado em menos de cinco segundos? Estes são apenas dois dos mitos alimentares passados de geração em geração que uma equipa de investigadores da Escola Superior de Biotecnologia do Porto quer descobrir se têm algum rigor científico.

O estudo para desvendar os mitos alimentares e avaliar se as ideias preconcebidas são assentes em pressupostos científicos envolve cerca de dez investigadores e professores da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa do Porto e visa recolher informações sobre os hábitos alimentares dos portugueses através de um inquérito disponível online.

Lançado no âmbito do projeto europeu SafeconsumE que tem como objetivo aumentar a segurança alimentar na Europa, o projeto quer recolher regras, conselhos e hábitos sobre o manuseamento e conservação de alimentos para, após uma rigorosa análise, perceber se estes estão, ou não, baseados em pressupostos cientificamente errados.

Paula Teixeira, uma das professoras responsáveis pelo estudo, em declarações à Lusa, explicou que uma das tarefas é replicar em laboratório os comportamentos e práticas observadas nos consumidores para tirar conclusões.

A investigadora afirmou que ideias pré-concebidas como "as cozinheiras terem sempre as mãos lavadas por estarem sempre a mexer em água" ou "um alimento cair ao chão e ser ingerido em menos de cinco segundos" são "completamente erradas".

"Há também muitas pessoas que dizem que se os ovos são maus vão flutuar. É verdade que se o ovo for muito velho vai flutuar, mas um ovo pode estar contaminado com salmonela, que é o que causa problemas de segurança alimentar, e não flutua. O ovo vai ao fundo", contou à Lusa

O projeto europeu SafeconsumE envolve 11 países e pretende, num prazo de cinco anos, alterar comportamentos e dotar o consumidor de ferramentas que permitam implementar melhores práticas de segurança alimentar. Está também a ser realizado na Noruega, Alemanha, França, Roménia e Hungria e tem permitido concluir que alguns mitos são comuns aos cinco países.