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Destaques

Dinâmica de reabilitação imobiliária já se estende pela Baixa alargada
15-05-2017

Aumento de transações no Centro Histórico do Porto, nos últimos anos, vem realçar desinvestimento num mercado que "estava 50% abaixo do seu potencial", realça Confidencial Imobiliário, que hoje assinou com a Câmara acordo para monitorização de dados estatísticos nas Áreas de Reabilitação Urbana do concelho. Em causa está um instrumento que garante informação transparente, de apoio à função que nesta área compete ao poder público: "preencher as falhas do mercado", como sustentou Rui Moreira. 


A dinâmica de reabilitação e de procura imobiliária a que se assiste no Porto "estende-se cada vez mais pelo que se pode conceber de uma Baixa alargada, de Cedofeita a Santo Ildefonso e Bonfim". Ao longo desses eixos, de modo crescente, a cidade "renova-se assumindo vocações complementares às do Centro Histórico". A leitura é da Confidencial Imobiliário (Ci), que hoje assinou com a Câmara do Porto um acordo para o tratamento estatístico dos direitos de preferência em todas as Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) do concelho.


De acordo com a empresa, e "em resposta à consolidação das novas fontes de procura imobiliária - desde a turística à internacional, passando pela ?Erasmus' -, a cidade ganha um novo potencial, abrindo novas perspetivas em zonas que há muito pouco tempo estavam ausentes de qualquer plano de investimento".


Nesta dinâmica, o Centro Histórico (única ARU para a qual a Ci tem já dados estatísticos sistematizados, fruto de uma parceria estabelecida com a Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana em finais de 2014) surge como paradigma de uma revitalização ímpar: no ano passado, o investimento nesta zona cresceu 64% face a 2015, com 154 milhões de euros e 513 imóveis transacionados. Apesar da expressão destes números, eles devem ser interpretados à luz da realidade anterior a 2011, quando "o mercado estava 50% abaixo do seu potencial", destaca a Confidencial Imobiliário, frisando que, "olhando hoje para esse território, torna-se incompreensível como era possível um espaço com esse potencial e relevância ser um deserto de valor e investimento".


Com o acordo estabelecido, a Ci passa a garantir uma monitorização sistemática e isenta dos dados estatísticos sobre transação, reabilitação e investimento imobiliário nas várias ARU do Porto - uma missão que há alguns anos assume em Lisboa. Garante-se, deste modo, transparência num campo em que é comum a "informação imperfeita", como salientou na assinatura do protocolo Ricardo Valente, vereador do Desenvolvimento Económico e Social.


Ação da Câmara é "corrigir" falhas do mercado

A relevância de instrumentos de monitorização, salientou por seu turno o presidente da Câmara, é importante para garantir um "mercado transparente em que todos percebem qual é a evolução, e que não se deixam enganar nem são enganados". Aos poderes públicos compete vigiar e "preencher as falhas de mercado", disse Rui Moreira. Como explicou, é importante "deixar que o mercado funcione", com os benefícios para a economia privada a se traduzirem, também, em impostos que permitam "compensar" as próprias falhas do mercado. "É isso que o município está a fazer: quando reabilitamos casas no Centro Histórico e as destinamos aos munícipes que não têm possibilidades de viver dentro do mercado, estamos exatamente a corrigir as falhas do mercado sem o impedir de funcionar".


Sobre a evolução no Centro Histórico, o autarca notou que o licenciamento "quadruplicou em quatro anos", sendo função do poder público resolver as situações sem as complicar. Lembrando que o crescimento da cidade tem "um fortíssimo impacto nas infraestruturas", Rui Moreira não contornou a questão do trânsito na Baixa, fruto também das muitas obras de reabilitação imobiliária. "Aí, naturalmente que a Câmara tem de ter políticas ativas no sentido de atenuar o impacto" desse investimento na qualidade de vida dos cidadãos.


"Mas não nos enganemos: pior seria se, em vez deste investimento, a cidade estivesse a perder como perdeu durante tanto tempo, e o Centro Histórico fosse hoje tão abandonado como era em 2001, quando cheguei à Associação Comercial do Porto, ou como quando o dr. Rui Rio, em boa hora, criou a Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo" - recordou o presidente da Câmara, concluindo que onde há investimento "há dores de crescimento. Temos de viver com elas, mas é assim que as cidades se tornam maiores".


Refira-se que a Confidencial Imobiliário, um databank, é a única fonte em Portugal com dados estatísticos sobre preços de transação e contratos de arrendamento de imóveis residenciais.