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Debate sobre "Economia, Arte, Europa" trouxe ao Porto Tomás Sedlácek
21-11-2016
O Mosteiro São Bento da Vitória, no Porto, foi o palco escolhido para pôr o Porto a pensar sobre "Economia, Arte, Europa". A mesa redonda aconteceu na passada sexta-feira e juntou o economista checo e autor do best seller "A Economia do Bem e do Mal", Tomás Sedlácek, considerado um dos maiores talentos da atualidade no domínio do pensamento económico, o diretor do Piccolo Teatro di Milano, Sergio Escobar, personalidade com uma vasta experiência no âmbito do teatro e da ópera, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o diretor artístico do Teatro Nacional São João (TNSJ), Nuno Carinhas. 

Na discussão, moderada pela presidente do conselho de administração do Teatro Nacional São João, Francisca Carneiro Fernandes, Tomás Sedlácek refletiu sobre três premissas que considera fundamentais, nomeadamente a "mão invisível da sociedade", uma mão reguladora que sem intervenção direta do governo mantém a sociedade aglomerada, a "economia como religião", sendo a economia uma ideologia disfarçada com matemática, e ainda a "problemática sujeito-objeto quando algo que é suposto servir-nos se torna nosso dono", ou seja, segundo Sedlácek, oferecemos poder à economia que "deixou de nos servir para ter a capacidade de nos destruir".  



Para o economista, que defende que a arte é o futuro da Europa, o "Home run" da economia será se "conseguirmos levar os nossos filhos ao cinema duas vezes por mês sem termos de nos preocupar se temos algo para comer no final".

A cidade do Porto e a sua estratégia focada na cultura, na coesão social e na economia foram levadas à discussão pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, que considera que apostar "na cultura vai permitir reconstruir a tolerância" e que, sendo esta um dos fatores competitivos da cidade, "é necessário libertar esse génio". Sobre a coesão da Europa, o autarca acredita que o caminho está numa nova "dimensão cultural" capaz de mostrar ao mundo que somos efetivamente os maiores produtores de cultura. 

Durante a iniciativa, inserida no âmbito do programa UTE Conflict Zones e coorganizada pelo Teatro Nacional São João (TNSJ) e a Union des Théâtres, o diretor do Piccolo Teatro di Milano, Sergio Escobar realçou que são necessárias "menos conferências sobre a economia da cultura e mais conferências sobre a cultura da economia". 

Por fim, o diretor artístico do TNSJ, Nuno Carinhas, aproveitou a ocasião para criar uma analogia entre a peça "Os últimos dias da Humanidade", a qual encena, com o tema em discussão, realçando o "teatro como lugar de todas as dúvidas que merece a partilha pública".