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Destaques

Conservação e restauro da Igreja de Santa Clara recomeça no fim de agosto
13-08-2019
Os trabalhos de conservação e restauro do recheio artístico da Igreja de Santa Clara vão ser retomados na última semana de agosto.

O anúncio foi feito pela Direção Regional de Cultura do Norte, que avança estar o final dos trabalhos previsto para dentro de um ano.

Edifício de origem gótica construído na primeira metade do século XV, a Igreja de Santa Clara teve o seu interior revestido a talha dourada na primeira metade do século XVIII, tornando-se num dos melhores exemplares da arte da talha dourada do Barroco Joanino.

Entre os trabalhos de conservação e restauro do recheio artístico estão o tratamento, limpeza e consolidação de toda a talha pintada ou dourada, da escultura e imaginária, das pinturas sobre tela e de pintura mural, de granitos e, ainda, trabalhos de consolidação de estruturas dos retábulos.

A DRCN aponta também que "a curto prazo serão, igualmente, iniciados os trabalhos de beneficiação dos paramentos exteriores, dos acessos de público e das instalações elétricas e os trabalhos de conservação e restauro do órgão e dos portais em cantaria de granitos (a norte, da igreja e a nascente, da portaria)".

Os trabalhos a lançar nas próximas semanas (que estavam suspensos desde o final do ano passado), representam um investimento de 827.369,78 euros e seguem-se aos já realizados no início da empreitada global a nível de reforços estruturais e de conservação e restauro nos dois níveis do coro do antigo convento.

A empreitada global corresponde a um investimento de 2 milhões de euros comparticipados pelo Programa Norte 2020 e com o mecenato da Irmandade dos Clérigos e da Fundação Millennium BCP.

Monumento Nacional

Património do Estado, a Igreja de Santa Clara do Porto foi classificada como Monumento Nacional em 1910 e constitui um relevante testemunho de um conjunto monástico feminino que integra uma vasta rede de património religioso. Faz parte integrante do Centro Histórico do Porto, que está classificado como Património da Humanidade reconhecido pela UNESCO desde 1996.
É, juntamente com a igreja de São Francisco do Porto, um dos melhores exemplares das denominadas igrejas forradas a ouro do barroco joanino, conservando a sua estrutura arquitetónica gótica, que remonta ao século XV. Revela uma unidade formal que lhe advém das campanhas de obras, em grande parte coetâneas, ao nível da talha, realizadas no início da centúria de Setecentos.  

A cerimónia de instituição do mosteiro das clarissas do Porto, mandado construir dentro de muralhas, decorreu há seiscentos anos, a 28 de março de 1416, tendo sido marcada pela presença das mais importantes figuras do reino - o Rei D. João I e os Príncipes D. Fernando e D. Afonso - que desde a primeira hora privilegiaram a nova casa, e pelo Bispo D. Fernando Guerra.

Os elogios a esta obra arquitetónica são já tecidos pelos seus contemporâneos, que a designam, em 1758, como "a mais perfeita e aseada deste Reyno, toda coberta de talha de ouro, e azul". A sua importância permanece inalterada, sendo uma peça relevante na arte portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

A Igreja de Santa Clara é um legado artístico notável integrando a sua arquitetura talha, escultura, azulejo, pintura mural, pinturas de cavalete e património musical e possuindo elevado interesse turístico.