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Destaques

Como foi vista a nossa Russa no Festival de Cinema de Berlim
20-02-2018

O filme de João Salaviza e Ricardo Jr., que a Câmara do Porto mandou produzir no âmbito do programa Cultura em Expansão, não é um filme sobre o Bairro do Aleixo. Mas é a partir dele que se aborda um tema atual. E o tema é a habitação nas cidades no século XXI.


O modelo de habitação social em altura, criado nos anos 60 e 70 em Portugal mas também em muitos países europeus, levou dos centros históricos milhares de pessoas para as periferias ou para zonas menos valiosas das cidades.
Agora, que essas zonas se tornam mais apetitosas para o setor imobiliário, o "problema" que reside dentro desses arranha-céus são as pessoas, agora já não mais desejadas naquele local, de novo.

Foi mais ou menos isto que João Salaviza, realizador premiado em 2012 com um Urso de Ouro, e que agora volta a Berlim com o filme "Russa", rodado no Bairro de Aleixo, foi dizer à plateia na sempre importante conversa, pós exibição.
Não conseguimos ter a certeza, mas parece ser a primeira vez que um filme produzido por uma Câmara Municipal chega à secção competitiva deste que é um dos mais importantes festivais de cinema do Mundo.

Na plateia estava Helena, a "Russa" no filme que retrata a sua chegada ao bairro, depois de um período na prisão. Ali, já não encontra as cinco torres do Aleixo, mas apenas três, depois de impulsão a que duas delas foram sujeitas há cerca de seis anos.
A "Russa" acabou por ser uma das estrelas do dia no festival e até recebeu abordagens de outros realizadores estrangeiros para filmar...

O Porto levou ao mundo uma realidade que não é exclusivamente sua, e como disse Salaviza, por muito bem que faça uma Câmara Municipal, o processo de gentrificação é, por vezes, mais forte.

Será a melhor imagem da cidade que se pode levar a Berlim? Não será, mas fica pelo menos em Berlim e no mundo uma certeza, no Porto, os problemas não são atirados para debaixo do tapete. Nem os problemas, nem as pessoas.