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'Coach' relata a experiência da única equipa portuguesa na final mundial do ICPC
03-04-2019
O "Porto." falou com o treinador da equipa da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), representante de Portugal na final mundial do campeonato de programação informática que está a decorrer na cidade pela primeira vez.

O International Collegiate Programming Contest - ICPC, a decorrer na Alfândega entre 31 de março e 6 de abril, tem o apoio do Município e da U.Porto, "a melhor universidade portuguesa nesta área", afirma Pedro Ribeiro, professor do Departamento de Ciências dos Computadores da FCUP e coach da equipa desta faculdade que tem a responsabilidade de representar Portugal na final mundial de quinta-feira, dia 4 de abril.

"De certo modo, esta prova é um selo de qualidade internacional, ou seja, tem uma garantia mais acentuada de que o aluno é bom a nível internacional, o que não depende das notas meramente a nível local, onde não se tem ideia da validade. É como, quando se está a fazer um exame de acesso à Universidade, a nota da escola secundária não diz tanto como um exame nacional porque as escolas secundárias podem ensinar com níveis diferentes, e esta aqui é literalmente unificante", explica Pedro Ribeiro em entrevista ao "Porto.".

"Em muitos países, não existem mercado ou escolas para as Ciências dos Computadores, o que não é o caso de Portugal porque temos um bom cenário de startup no Porto, com muitas tecnológicas, como a Farfetch, a Infraspeak e outras", acrescenta o Professor.

"O Porto está a tentar tornar-se atrativo a nível europeu, e são eventos como este que devem ser replicados", defende, sublinhando que "tem-se notado um crescimento forte, também por aposta da própria Câmara Municipal do Porto, mas é preciso continuar a carregar no pedal e não largar porque precisamos de ser competitivos e não podemos pensar localmente; temos de pensar a nível internacional. Queremos formar talento, mas também queremos reter esse talento, não o queremos deixar fugir".



Embora Pedro Ribeiro inste os seus "pupilos" a serem competitivos e a querer melhorar sempre, acredita que o aspeto social e pessoal da vida de cada um é crucial, "na medida em que confere o equilíbrio necessário ao desempenho no mercado laboral real, em que o developer não está completamente focado no trabalho e acaba por ser mais produtivo pois sabe lidar com emoções próprias da cultura empresarial".

A propósito, "ainda nesta manhã, antes da prova obrigatória organizada por um dos principais patrocinadores - a Huawei - todos os jovens fizeram uma visita guiada pela cidade do Porto; mesmo aqui, na Alfândega, temos áreas destinadas a relaxamento, com matraquilhos ou bilhar", salientou o treinador da equipa portuguesa.

Sobre a questão premente dos dias de hoje, que é a da supremacia dos trabalhos orientados por computadores, Pedro Ribeiro é perentório: "O futuro é destes jovens, eles são os futuros líderes das empresas. A maior parte dos trabalhos, como os conhecemos, vão ficar obsoletos; ainda assim, haverá sempre necessidade da componente humana, mas há uma grande parte que vai ser automatizada: basta pensar em como era o mundo há 20 anos. Não havia Internet. E daqui a 20 anos, como é que vamos estar? Qual é a geração que vai liderar? São estes miúdos", garante. "E esperemos que seja a geração que ajude a construir um mundo no qual possam viver pois a nossa pegada ecológica é muito elevada", conclui Pedro Ribeiro.

Origens do ICPC

O International Collegiate Programming Contest (ICPC) é uma competição patrocinada pela IBM que, de 1977 a 1989, incluiu principalmente equipas dos EUA e Canadá. Com sede na Universidade Baylor desde 1989, o ICPC tornou-se uma competição anual de programação entre universidades do mundo inteiro. Em cada competição, cada equipa dispõe apenas de um computador, de forma a promover um verdadeiro trabalho de grupo e a capacidade para resistir à pressão, aumentando as hipóteses de vencer.

O ICPC tem a sua origem numa competição sediada na Universidade A&M do Texas em 1970, organizada pelo Capítulo Alpha da Sociedade de Honra da Ciência da Computação Upsilon Pi Epsilon. A competição evoluiu para o formato atual em 1977, sendo que as primeiras finais foram organizadas em conjunto com a Conferência de Ciência da Computação da ACM.