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Destaques

Cidade "perdeu" o livreiro Fernando Fernandes e o fotógrafo Fernando Aroso
02-10-2018

A cidade do Porto perde em poucas horas dois nomes destacados do setor cultural: o livreiro Fernando Fernandes e o fotógrafo Fernando Aroso.


A Câmara do Porto aprovou hoje por unanimidade, em reunião de Executivo, um voto de pesar pelo falecimento do livreiro Fernando Fernandes, fundador da Livraria Leitura.


Na apresentação da proposta, a vereadora Maria João Castro (PS) sublinhou o apreço que os estudantes universitários da cidade nutriam por Fernando Fernandes, os quais, no período anterior ao 25 de Abril, viam na sua livraria um espaço de liberdade onde a censura não morava.


Condecorado em vida com a Medalha de Ouro da Cidade do Porto, bem como com a Ordem de Mérito concedida pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio, Fernando Fernandes faleceu no domingo, aos 84 anos.


O presidente da Câmara do Porto informou os vereadores que havia disponibilizado o Palacete dos Viscondes de Balsemão para o velório, mal soube do seu falecimento. "Concordam comigo que é uma carência da cidade", apontou Rui Moreira, para justificar que lhe pareceu ser esta uma justa homenagem a um homem que não professava qualquer religião.


Também a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, destacou que Fernando Fernandes "sempre arriscou muito na defesa da liberdade e da cultura".


Entretanto, a cidade tem também a lamentar a morte do fotógrafo Fernando Aroso, ontem, aos 97 anos.


Nascido a 16 de setembro de 1921, Fernando Aroso teve grande ligação ao TEP - Teatro Experimental do Porto, do qual era sócio honorário e cujo trabalho acompanhou de perto durante décadas, nomeadamente durante a presidência de António Pedro que dinamizou a revolução estética no teatro português durantes os anos 50. Esse processo foi refletido em fotografia de cena por Fernando Aroso e o trabalho esteve exposto há três anos no Ateneu Comercial do Porto.


Além disso, Fernando Aroso foi autor de fotografias que fizeram a capa de mais de 2 000 discos de vinil editados por Arnaldo Trindade (com a etiqueta da Orfeu), algumas das quais podem ser recordadas na exposição dedicada à música que está patente na Galeria Municipal do Porto.