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Destaques

Ciclo de nove conferências explora nove espetáculos à procura de respostas
25-10-2019
Refletir sobre as questões suscitadas por nove espetáculos da temporada é o objetivo do ciclo de nove conferências que abriu nesta semana no Teatro Municipal do Porto. Com curadoria do jornalista Pedro Santos Guerreiro, teve por protagonista Hooman Sharifi, cujo espetáculo estreia hoje no Salão Árabe.

"The dead live on in our dreams", que o coreógrafo norueguês de origem persa apresenta nesta noite e também na de sábado, tem explícita uma abordagem autobiográfica de Sharifi. A sua criação reflete a educação na zona de guerra e o facto de ter chegado à Noruega em criança, sozinho, à procura de asilo, mas sobretudo "outros aspetos da minha vida que prefiro salientar", como a integração na sociedade e cultura norueguesas ao fim de 31 anos. "A minha inspiração e a força motriz dos meus atuais trabalhos é a batalha contínua contra as mentes fechadas no sentido do encontro e da partilha. Como as pessoas se unem. Quanto diálogo, confronto e determinação são necessários para garantir que haja uma compreensão da realidade dos outros", salienta.

Esse espetáculo foi também o pano de fundo para a primeira conferência do ciclo "Modos de ocupar", que evoca a ocupação do Rivoli por um grupo de teatro, em 2006. O ciclo tem curadoria e moderação do jornalista Pedro Santos Guerreiro, que convida diversas figuras do contexto atual e debruça-se em temáticas que emergem da cultura e sociedade contemporâneas. Ou seja, as sessões não são sobre os espetáculos, mas sobre as questões que dos mesmos emanem e que ajudem o público a refletir sobre diferentes "Modos de Ocupar".

A primeira conversa partiu da ideia provocatória "A arte é igual à política" e Hooman Sharifi mergulhou em águas profundas ao abordar questões de identidade e integração territorial. Apesar do peso do tema, a conversa foi pautada por leveza, desmistificando algumas ideias preconcebidas sobre a cultura persa e a cultura árabe.

Sharifi partilhou alguns episódios relacionados com uma infância e adolescência, como o amor vivido no olho do furacão da guerra, bem como o interesse em apresentar o seu trabalho num espaço como o Salão Árabe - "é uma sala muito curiosa porque podemos descobrir várias falácias sobre o que cremos vir dos árabes. Este é claramente um espaço construído por europeus".