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Caminho Português da Costa deu hoje no Porto o primeiro passo rumo a Santiago de Compostela
25-07-2017
O historiador e peregrino Joel Cleto guiou hoje - Dia de São Tiago - os primeiros passos no Caminho Português da Costa, junto à Sé, logo após este ser apresentado na Casa-Museu Guerra Junqueiro por 10 municípios que, unidos, apresentaram uma candidatura ao programa Norte 2020 para valorização dos Caminhos de Santiago. A candidatura corresponde a um investimento global de 2.153.846 euros, do qual são elegíveis 1.692.940 euros.

Remontando, pelo menos, ao século XV, este caminho "é percorrido não só pelos cristãos, nem sequer só pelos crentes", como reconheceu o Bispo D. António Francisco dos Santos, elogiando a Câmara por ser um dos impulsionadores desta iniciativa que irá valorizar o património turístico, cultural e religioso desde o Porto até à fronteira com a Galiza.

Além do sítio na internet hoje mesmo disponibilizado e que permite criar um guia de viagem personalizado (www.caminhoportuguesdacosta.com), de uma aplicação para smartphone, da produção de um documentário ficcional, da conceção de uma exposição itinerante e da edição de uma publicação científica, o "novo" Caminho também já está no terreno pois, no seu troço no Centro Histórico do Porto, a Câmara assegurou a respetiva sinalização através de suportes cuja imagem foi também hoje apresentada.

Rui Moreira revelou que será igualmente criado um Centro de Acolhimento na capela seiscentista de Nossa Senhora das Verdades, monumento classificado e inserido na zona de Património Mundial, que se encontrava há longos anos desativada e encerrada ao culto.
"Foi a importância patrimonial deste imóvel", próximo da Sé, "que nos fez escolhê-lo para início desta viagem", apontou o autarca, aproveitando para recordar que também a Casa-Museu Guerra Junqueiro, onde foi feita a apresentação, foi recentemente alvo de requalificação "para bem acolher e inspirar os visitantes nacionais e de todas as nacionalidades que nos procuram".

O presidente da Câmara lembrou ainda que a requalificação tem vindo a ser estendida ao património da cidade, seja ele arquitetónico, arqueológico e monumentos de arte pública, bem como ao património religioso, material e imaterial de que considerou "expoente" o Caminho Português da Costa.

Por isso, este programa de revalorização foi contextualizado por Rui Moreira com "as dinâmicas culturais contemporâneas da cidade", que "assentam em viagens pelos domínios da reflexão, do cinema, do pensamento, da literatura" e que "se entrecruzam com percursos patrimonais e com esta viagem no espaço, no tempo e, simultaneamente, tão interior que é um caminho de peregrinação".



A sistematização do Caminho Português da Costa representa, ao mesmo tempo, uma prova de que "o trabalho em rede é muito eficaz", frisou por seu lado o diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, ao que o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, acrescentou um pedido dirigido ao ministro da Cultura: "Os Caminhos Portugueses de Santiago têm de ter uma coordenação" de cariz nacional.

Procurado pelas mais diversas razões (religiosas, culturais, espirituais, contacto com a natureza, auto-superação, etc.), o agora requalificado Caminho Português da Costa começa no Cais da Ribeira, passa pela Sé, atravessa a cidade passando por Cedofeita e chega ao Monte dos Burgos, dando entrada no concelho de Matosinhos e prosseguindo pela Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha e Vila Nova de Cerveira até Valença. Perfaz 258 quilómetros no seu destino (Santiago de Compostela) e registou no ano passado 1% da quota de procura (dados da Oficina do Peregrino), ocupando a 7.ª posição.

No total, os Caminhos de Santiago (em todas as suas variantes e percursos) foram terminados por 277.854 peregrinos no ano de 2016, sendo 63% correspondentes ao Caminho Francês, 18% ao Caminho Português (o que maior crescimento teve, com 12,89%), 6% ao Caminho do Norte, 4% à Via de la Plata, 4% ao Caminho Primitivo e 3% ao Caminho Inglês.