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Destaques

Câmara e Engenheiros mostram o Porto como laboratório do futuro
17-01-2018
A implementação de novas soluções da Engenharia nas cidades depende dos decisores políticos, sendo que no âmbito do Porto existe essa abertura. Esta realidade marcou o início da primeira sessão "A OERN em...", que hoje de manhã juntou na Biblioteca Municipal Almeida Garrett elementos da Ordem dos Engenheiros - Região Norte e da Câmara do Porto. De parte a parte, lançaram-se desafios e cimentou-se a cooperação na conceção do futuro.

À frente da autarquia portuense "temos um vice-presidente que está alertado para as coisas e um presidente culto que tem a cidade na cabeça" - realçou Poças Martins, presidente da OERN, que começou a sua intervenção a afirmar: "Esta não é uma sessão fácil para quem está no poder. Só quem está seguro de si tem a abertura para ouvir a crítica forte e saudável de uma comunidade com muitos engenheiros que vai ao fundo das coisas".

Elogiando "a excelência do trabalho que os engenheiros da Câmara do Porto têm vindo a desenvolver" ou iniciativas como o Porto Innovation Hub, que integrou um ciclo de debates já vertido em livro, o dirigente sublinhou a importância da decisão política - "sem ela não conseguimos melhorar as coisas" - e, tal como era fundamento do encontro, elencou desafios.

O trânsito na VCI, problema que ultrapassa a possibilidade de intervenção isolada do Porto, foi uma questão por si levantada. "Será que isto tem solução? Claro que sim", mas "não há uma entidade, que tem de ser metropolitana, para resolver". Poças Martins lembrou que a saturação da VCI regista-se sobretudo em horas de ponta, o que o levou mesmo a avançar como hipótese de solução "o desfasamento dos horários" laborais.



Coube a Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara do Porto, responsável pelo pelouro da Inovação e Ambiente, abrir a sessão. Como assinalou, o Porto, que "sempre teve uma relação muito especial com a Engenharia", tem "todos os ingredientes para ser um verdadeiro laboratório das soluções de futuro".

Destacando que o Porto "ao longo dos séculos foi-se transformando pela inovação, com a Engenharia a ter sempre um papel fundamental", lembrou que as cidades são "organismos em permanente mudança", ou seja, intrinsecamente complexas e capazes de deixar os engenheiros "maravilhados por verem tantos problemas e desafios para resolver". É facilitando-lhes essa missão que se transforma e desenvolve o espaço urbano. Fazendo inovação e ambição "parte do ADN de ser portuense", o futuro pode, pois, "ser delineado cá".

A partir deste desiderato, antecipou cenários de médio-longo prazo que incluem, por exemplo, veículos autónomos, numa revolução da mobilidade e das sociedades, e defendeu as cidades como produtoras e gestoras da sua própria energia - "temos de ser inteligentes e perspetivar esta alteração".

Com foco em transformações "que virão mais depressa do que esperamos", Filipe Araújo refletiu sobre o que está já a acontecer. O tempo da Internet das coisas está aí, donde, "não preciso de falar do futuro para dizer que tudo irá comunicar com tudo", suscitando desafios mas também oportunidades, tais como o surgimento de "muitos negócios inovadores".

Dentro das mudanças já visíveis, o vice-presidente da Câmara realçou que a Engenharia "é e será essencial para resolver um dos maiores desafios globais: como continuarmos a viver neste planeta sem o destruir".

A concluir, reiterou que o Porto, "pela qualidade dos engenheiros que forma e teve no passado, pode e deve liderar" muitas destas transformações, sendo que várias, essenciais, estão já em curso na cidade. O sistema integrado de gestão de tráfego, a opção por contadores inteligentes, a construção do Terminal Intermodal de Campanhã, a expansão da rede de metro, a migração para veículos elétricos, a expansão da rede de fibra ótica, a reabilitação do Bolhão, a reconversão do antigo Matadouro Industrial ou a despoluição do rio Tinto ficaram como exemplos de uma cidade que "não para e está hoje já a abraçar o futuro".

Tecnologia, mobilidade, inovação e energia foram temas presentes numa sessão em que a conceção da "smart city" esteve presente. Do encontro ficaram perspetivas, muitos desafios e a abertura, pois, ao encontro de novas soluções.