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Destaques

Câmara elimina químico perigoso
29-02-2016

Em março de 2015, a Agência Internacional para a Investigação Contra o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o pesticida glifosato como "cancerígeno provável para o ser humano". Nesse mesmo mês, a autarquia do Porto interrompeu definitivamente a utilização desse produto no controlo de plantas invasoras, passando a utilizar a monda mecânica nos arruamentos, parques, jardins e terrenos da cidade.


O glifosato é um pesticida sistémico não seletivo, ou seja, significa que mata qualquer tipo de planta. Segundo dados disponibilizados pela Quercus, em 2012, foram utilizadas, em Portugal, 1400 toneladas deste pesticida, com fins agrícolas. Entre 2002 e 2012, o uso do glifosato na agricultura mais do que duplicou.

 

Face a estas informações, tendo em vista a saúde pública e uma prática ambiental sustentável, os serviços de ambiente da Câmara do Porto deixaram de usar qualquer tipo de herbicida químico para o controlo de plantas invasoras (ou potencialmente invasoras).

 

Este controlo, obrigatório por lei, está agora, maioritariamente, dependente dos recursos humanos disponíveis, devidamente apetrechados com meios mecânicos, assim como, com a utilização pontual de alguns compostos de origem orgânica (produtos autorizados, que seguem as indicações apresentadas pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária, que resultam do sistema de homologação em vigor, que tem como suporte jurídico base o Decreto-Lei nº 94/98 de 15 de abril.

 

Desta forma, a monda química (através da utilização do produto glifosato) deu lugar à monda mecânica, que substituiu a aplicação de fitofármacos.

 

Para tornar este trabalho mais célere e menos árduo para os trabalhadores, recorre-se a equipamentos mecânicos para eliminar as ervas daninhas. A monda mecânica pode ser executada através de: homem com motorroçadora (mais versátil, usa-se essencialmente na limpeza de arruamentos, mas, também, nos terrenos em que o trator está impossibilitado de intervir); trator com braço triturador acoplado (utiliza-se essencialmente em taludes ou terrenos com forte inclinação); trator com capinadeira acoplado (utilizado em terrenos sem grande desnível e sem terras soltas).

 

Para além dos benefícios para a saúde pública, a prática dos serviços ambientais do município portuense apresenta, também, resultados ao nível dos índices de reciclagem, participando naquilo a que se pode chamar de "Economia Circular dos Resíduos". Ou seja, os resíduos vegetais produzidos na limpeza dos arruamentos são recolhidos e transportados para o ecocentro, para depois serem encaminhados para a Central de Valorização Orgânica (CVO) da LIPOR.

 

A CVO da LIPOR tem capacidade para valorizar 60 mil toneladas/ano de matéria orgânica proveniente da recolha seletiva de resíduos biodegradáveis (resíduos alimentares e resíduos vegetais), o que se traduz numa produção de cerca de 15 mil toneladas/ano de corretivo orgânico de alta qualidade, um composto para utilização na agricultura, com o nome comercial "Nutrimais".