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Destaques

Câmara do Porto entregou medalhas
09-07-2015

A Câmara Municipal do Porto entregou hoje as medalhas da cidade, numa cerimónia que decorreu nos jardins do Palácio de Cristal e que contou com 27 homenageados. As três principais distinções foram para o Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins; o advogado Miguel Veiga, e para o Instituto Politécnico do Porto, que receberam a Medalha de Honra da Cidade.


 

No seu discurso, Rui Moreira começou por citar Miguel Veiga, segundo o qual "a verdadeira pátria dos homens é o desejo", lembrando a sua mais profunda amizade e admiração pelo homenageado. "Sei ou sinto que todos, aqui e hoje, sabemos a que desejo se refere Miguel Veiga. Se não sabemos, alcançamos. Se não alcançamos, ao menos, de certeza, projectamos. Esse é o desígnio carregado de nobreza daqueles que, únicos, são capazes de mudar o Mundo através da palavra: o desígnio de inspirar o desejo, de alcançar e projectar nele o futuro. Aqueles que têm a capacidade de o fazer são, nesta perspectiva, os que inspiram e quantas vezes determinam a conquista. E, se é da conquista que nasce a pátria, é também na conquista que se inspiram e concretizam o desejo e o carácter", afirmou o presidente da Câmara.

 


Rui Moreira lembrou também o porquê de atribuir as medalhas da cidade a 9 de julho, desde 2014, com o facto de ter sido "o dia em que começou o fim do Cerco do Porto", acrescentando: "A fé, a convicção, o carácter, o saber e querer resistir, a capacidade de olhar o futuro, de projectar o desejo, são comuns a estes três homenageados. A fé em Deus ou, quando menos ou mais, a fé na nossa capacidade para construirmos esperança a partir das coisas do dia-a-dia. A convicção, porque sem ela nos reduzimos, nos rendemos à banalidade, essa banalidade a que, de um modo tão fulgurante, escapam os três homenageados".

 


"Saber e querer resistir quando for caso disso, porque é esse um dos traços mais identificadores dos que nesta Cidade ou a propósito dela fazem História. O desejo, porque é a vontade de um futuro melhor que alicerça as bases dos povos. Porque é essa a nossa pátria. O desejo. O desejo da felicidade", acrescentou ainda o autarca, lembrando também "o conjunto dos cidadãos e instituições que, pelo seu mérito, hoje aqui recebem outras distinções, são os nossos guias. São referências da sociedade civil, da Igreja, do associativismo, das artes e das letras, do desporto e do trabalho. São exemplo. E muito andamos precisados de exemplos, nestes tempos instáveis que colectivamente atravessamos".

 


Para Rui Moreira "é tempo, aliás, de a Cidade estar unida nas suas missões e desígnios. Sem unanimismos, sempre com espírito crítico, sem medo. Mas, sem medo também, sempre fiel àquilo que é o seu maior valor colectivo: o carácter. Sem trincheiras, mas sempre determinada a unir-se pelas suas causas, contra qualquer cerco que seja. Porque os piores cercos, nestes anos de chumbo, não são sequer os físicos, são os cercos imateriais".

 


Como presidente da Câmara, o autarca eleito como independente há pouco mais de ano e meio, quis ainda prestar homenagem aos funcionários da Câmara Municipal do Porto, uma vez que alguns deles foram também agraciados por "bons serviços", afirmando: "também vejo o Porto na forma como muitos dos funcionários municipais se dedicam à sua missão. Alguns, por vezes, a ponto de perderem a vida em serviço. A esses presto, prestamos todos, uma homenagem particularmente sentida."

 


Além de apontar o Instituto Politécnico do Porto como um "raio de esperança", que disse ser comum aos três agraciados com as medalhas mais importantes, disse que o IPP era ainda um símbolo da importância que a Academia tem hoje para a cidade e que é através dos seus estudantes e de novas famílias que "o Porto se há-de repovoar", Rui Moreira lembrou também a faceta humanista de D. Manuel Martins: "os seus ensinamentos, a sua vivência e serviços que entre nós prestou, a sua visão positiva da vida, o seu olhar sobre a nossa cidade e sobre um país que busca e precisa desesperadamente de consciência social, são referenciais de esperança para o Porto", terminando citando o Bispo de Setúbal: "Este mundo está a parir outro mundo, uma civilização nova. Nós estamos em autênticas dores de parto, muito dolorosas, mas a criança há-de nascer bem e vamos ter dias melhores".

 



Conheça todos os medalhados:

Medalha Municipal de Bons Serviços - Grau Prata

- António Francisco Ferreira Magalhães (a título póstumo), encarregado geral de águas e saneamento. Recebe a medalha a sua viúva, Senhora D. Olga Maria Monteiro Sousa Magalhães;

- Eva Maria Ferreira de Oliveira, Assistente Operacional da Direção Municipal da Presidência;

- Fernando Aurélio Ribeiro Pereira, Tesoureiro da CMP;

- Joaquim Augusto Dias Barbosa (a título póstumo), jardineiro. Recebe a medalha a sua viúva, Senhora D. Isaura de Fátima Pereira Bandeira

- Jorge Fernando Tomás Lopes, Fiscal Municipal.

 

Medalha Municipal de Valor Desportivo - Grau ouro

- Arlindo Ribeiro da Silva (título póstumo), do Ramaldense F.C., foi jogador de hóquei em campo, treinador, dirigente e árbitro. Recebe a medalha a sua viúva, Senhora D. Maria Sofia Gomes de Sousa

- Clube de Judo do Porto. Recebe a medalha o Presidente da Direção, Albino Costa

- Jorge Valdemar da Silva Teixeira, atleta, maratonista e organizador das principais corridas na Cidade do Porto;

- Mário Alberto Pinto de Azevedo Águas, karateka e instrutor, grande impulsionador do Karaté em Portugal;

- Secção de Andebol do F.C. Porto. Recebe a medalha o responsável da Secção de Andebol, Prof. José Magalhães

 

Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro

- Adélio Miguel Magalhães Mendes, Professor Universitário e investigador;

- Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas;

- Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina. Recebe a medalha a Presidente da Direção, Dr.ª Maria Manuela Matos Peixoto Taveira;

 - Balleteatro. Recebe a medalha a sua Diretora Artística, Isabel Barros

- Isabel Alves Costa (título póstumo). Programadora Cultural. Recebe a medalha o seu marido, Arqto. Manuel Mendes

- João Carlos Martins Lopes dos Santos, Arquiteto, Subdiretor Geral do Património Cultural e responsável pelo recente projeto de recuperação e reabilitação da Igreja e Torre dos Clérigos;

- João Luiz Pereira de Sousa, Diretor Artístico da Companhia Profissional de Teatro Pé de Vento;

- Júlio Machado Vaz, Médico Psiquiatra e especialista nas áreas da toxicodependência e da sexualidade;

- Luís Seixas Ferreira Alves, fotógrafo de arquitetura;

- Madalena Sá e Costa, violoncelista portuguesa tendo formado com sua irmã um duo de violoncelo e piano durante mais de 50 anos;

- Maria Amélia Cupertino de Miranda Almeida, com forte ligação ao mundo da cultura, é presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda;

- Maria Cândida Rocha e Silva, banqueira, Presidente do Banco Carregosa;

- Mário Idalino da Costa Brochado Coelho, advogado e combatente anti-fascista;

- Nassalete Miranda (Maria Nassalete Guedes Diz), fundadora e dirigente do jornal cultural "As Artes entre as Letras";

- Obra Diocesana de Promoção Social. Recebe a medalha o seu Presidente do Conselho de Administração, Américo Joaquim da Costa Ribeiro;

- Orlando Monteiro Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas desde 2001;

- Ricardo Pais, encenador e dirigente cultural;

- Rui Vaz Osório, médico, organizador do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce.

 

Medalha Municipal de Honra da Cidade

O Instituto Politécnico do Porto (IPP) foi criado em 1985, fruto do relançamento do Ensino Superior Politécnico em Portugal. Integram o IPP a Escola Superior de Educação (ESE), a Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE), o Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCAP), o Instituto Superior de Engenharia (ISEP), a Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG), a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras (ESTGF) e a Escola Superior de Tecnologias da Saúde (ESTSP).

Entre estudantes, professores e investigadores, há neste momento cerca de 20 mil pessoas ligadas ao IPP. Possui 70 Licenciaturas e 47 Mestrados, além de outros cursos de especialização, em domínios que abrangem os diversos campos da ciência, da tecnologia e da cultura.

Atendendo à importância do Politécnico do Porto na estrutura educativa da Cidade, a Câmara Municipal do Porto deliberou atribuir, em reunião do Executivo de 30 de junho e em Sessão da Assembleia Municipal de 6 de julho, a Medalha de Honra da Cidade ao Instituto Politécnico do Porto.

Recebeu a medalha a sua Presidente, Prof.ª Doutora Rosário Gamboa.

 

Miguel Luís Kolback da Veiga, homem de ação e de pensamento, vive no Porto e defende com orgulho aguerrido a sua origem portuense.

Mais tarde fez parte do núcleo muito restrito de fundadores do PPD, hoje PSD, colaborando na conceção das suas bases programáticas, partido onde ocupou os cargos mais relevantes e pelo qual foi deputado da Assembleia Constituinte.

Miguel Veiga, além de um notável percurso profissional no exercício da advocacia forense e de consultadoria, foi também presidente da Comissão de Toponímia do Porto e foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro em 2007.

A sua atividade política aproxima-o de valores democráticos, sendo um obreiro dos principais movimentos que têm gerido a cidade do Porto. 

Arauto da liberdade e independência, Miguel Veiga define-se também como um buscador e um obstinado errante e um avesso confesso do populismo, com uma racionalidade e coragem invulgares.

Pelo exposto, a Câmara Municipal do Porto deliberou atribuir, em reunião do Executivo de 30 de junho e em Sessão da Assembleia Municipal de 6 de julho a Medalha de Honra da Cidade a Miguel Luís Kolback da Veiga.

 

D. Manuel da Silva Martins nasceu em Leça do Balio, e foi ordenado presbítero a 12 de agosto de 1951, na Igreja Matriz de Santo Tirso.

Com o regresso do exílio de D. António Ferreira Gomes, em 1969, foi nomeado Vigário - Geral da Diocese, tendo dirigido a revista diocesana Igreja Portucalense.

Em outubro de 1975 foi nomeado 1º Bispo da diocese de Setúbal.

Exerceu uma atividade pastoral intensa em defesa aberta e persistente dos mais carenciados, quer em Portugal (nomeadamente em Setúbal) quer em África, denunciando erros, incoerências, hipocrisias, humilhações humanas e injustiças. Valeu-lhe sempre a postura e ação dinâmica que atribuía a cada um dos passos realizados, sendo desde cedo reconhecido por crentes e não crentes.

É Bispo Emérito de Setúbal.

Como reconhecimento da postura que sempre teve, a Câmara Municipal do Porto deliberou atribuir, em reunião do Executivo de 30 de junho e em Sessão da Assembleia Municipal de 6 de julho, a Medalha de Honra da Cidade.