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Destaques

Assembleia recorda Pedro Baptista destacando a sua singularidade e entrega à cidade do Porto
03-03-2020

Precisamente duas semanas depois da sua última intervenção na Assembleia Municipal do Porto, o deputado Pedro Baptista foi ontem à noite homenageado pelo mesmo órgão autárquico, após a sua repentina morte, que ocorreu no passado dia 20 de fevereiro. O presidente da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite, leu o voto de pesar que foi aprovado por unanimidade, mas todas as forças políticas fizeram questão de assinalar o quanto o hemiciclo fica mais pobre com a sua partida.


Miguel Pereira Leite sublinhou o "espírito livre, irreverente, polémico e apaixonado" de Pedro Baptista, "uma força da natureza, estimulante como amigo e insuportável como adversário, mas sempre um interlocutor estimulante", assinalou.

Dirigente estudantil no Porto entre 1968 e 1971, o deputado municipal que estava a comissariar as comemorações dos 200 anos da Revolução Liberal, "fundou o único partido político que a cidade do Porto viu nascer até hoje. Chamou-o 'O Grito do Povo', marca que gravava em título de jornal de oposição ao Estado Novo.

Pedro Luís da Rocha Baptista, nascido a 20 de abril de 1948, em Nevogilde, no Porto, referiu o Presidente da Assembleia Municipal, foi preso político em 1973, "ano em que fundou a Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP) e em que foi deportado para Angola, regressando a 1 de maio de 1974".

Licenciado e doutorado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foi investigador-coordenador no Instituto de Filosofia desta Faculdade e investigador-colaborador no Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica. Publicou vários ensaios, romances e comunicações neste campo de estudo.

Abraçou com fervor a paixão pela política, mas nunca se ateve a nenhum partido. Norteado pelas suas próprias convicções e pela vontade de intervenção cívica, foi deputado à Assembleia da República, eleito pelo Porto, entre 1995 e 1999, pelo Partido Socialista, e candidato do Partido Democrático do Atlântico (PDA), em 2011, pelo círculo do Porto.

Foi, desde 2013, deputado da Assembleia Municipal do Porto, eleito como independente na lista do movimento Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido.
Ao longo do seu trajeto político Pedro Baptista demarcou-se pela liberdade de pensamento, não temendo rótulos, nem o de reacionário e menos ainda o de revolucionário.



Ao voto de pesar subscrito por todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal (pode lê-lo AQUI na íntegra), e que respeitou um minuto de silêncio em sua memória, também Rui Lage, deputado municipal do PS, manifestou "a raridade e singularidade" de Pedro Baptista, "que pertencia a uma estirpe de políticos provavelmente em via de extinção", em que a espontaneidade e o "cancelamento do politicamente correto" vencem uma classe que diz estar hoje "automatizada e castrada".

Àquele que nomeou de "enfant terrible", dedicou dois versos de Eugénio de Andrade: "Paciência, / querido, também Mozart morreu. / Só a morte é imortal".

Raul Almeida, deputado municipal independente, saudou Pedro Baptista por ter sido "um elemento máximo de irreverência e independência", "portuense de primeiríssima água e portista visceral". É, por isso, "todo o Porto que perde" com a partida do "rebelde com uma causa", frisou.

Joel Oliveira, deputado municipal do Bloco de Esquerda recordou a frontalidade e, simultaneamente, a afabilidade de Pedro Baptista e tanto o PSD como a CDU e o PAN subscreveram, na totalidade, as palavras ditas que caracterizavam Pedro Baptista.

Voto de pesar pelo falecimento do jornalista Jorge Vilas

Na noite desta segunda-feira foi ainda respeitado um segundo minuto de silêncio pelo falecimento do antigo jornalista Jorge Vilas, que trabalhou durante quase 40 anos no Jornal de Notícias e que desempenhou também funções de assessor do antigo presidente da Câmara do Porto, Paulo Vallada, tendo colaborado ainda com Fernando Cabral e Fernando Gomes.

O voto de pesar, apresentado pela primeira secretária da mesa da Assembleia Municipal do Porto, Paula Ribeiro de Faria, foi igualmente aprovado por unanimidade.