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Arquivo Municipal tira da prateleira documento para evocar o ensino infantil no Porto da Primeira República
14-02-2018
O projeto da Escola Infantil n.º1 da Praça da Alegria sai das prateleiras do Arquivo Histórico Municipal do Porto para a sessão desta quinta-feira do ciclo "O documento do mês".

Com apresentação da técnica municipal Rosário Guimarães, a sessão - de entrada gratuita mediante inscrição prévia - tem início pelas 15,30 horas, na Casa do Infante, e toma como ponto de partida o projeto daquela antiga escola, inaugurada a 31 de janeiro de 1916, que inaugurou o ensino pré-primário em Portugal.

Fica assim dado o mote para uma conversa em torno do Ensino Infantil no Porto da Primeira República e o seu pioneirismo, que desde a primeira hora contou com o empenho dos governantes municipais.

A República pretendia transformar culturalmente a sociedade portuguesa pela via da instrução e da educação, levando a cabo um conjunto de inovações que, não obstante o reduzido alcance social obtido, manter-se-ia como referência conceptual das reformas educativas que seriam empreendidas em Portugal na segunda metade do século XX.

A reforma da Instrução Pública, de que o principal mentor foi João de Barros , insere-se nesse movimento do final do seculo XIX que pugna por uma educação centrada no conhecimento e nos interesses da criança, na compreensão do seu desenvolvimento, proporcionado pelas ciências da educação.

Além do seu aspeto global e da importância que dá ao ensino primário como uma das formas de combater o analfabetismo, a novidade estará no reconhecimento e integração do ensino infantil dentro do sistema de ensino. Não só prevê a existência de jardins de infância enquanto preliminares à escola primária, como integra a formação de "jardineiras" nas escolas normais.

"Atendendo a que os serviços da instrução a cargo desta Câmara são de grande complexidade e extensão; atendendo a que tão importante ramo da administração municipal deve ser caracterizado por uma sistematização de trabalhos e por uma concentração de esforços que lhe assegure êxito, a fim que dos encargos resultem os melhores benefícios para a educação popular?", foi aprovada em sessão de 20 de janeiro de 1914 a criação de uma Repartição de Instrução Autónoma.

A 15 de agosto, deliberou-se a construção de raiz de dois jardins-escola: um na Praça da Alegria e outro no Passeio Alegre (que serviria, nos meses de verão, como colónia balnear) e, em 24 de dezembro, foram criadas escolas infantis em cada um dos bairros da cidade.

Nesta quinta-feira, serão recordadas as memórias do trabalho levado a cabo pela formação de professores na Escola Normal do Porto, reconhecida a nível nacional como a melhor Escola, aliado ao empenho da administração municipal nesta "empreitada" de formação da "matéria-prima de todas as pátrias", que teve a colaboração do Corpo Docente das Escolas Infantis.

Mais informações:
Arquivo Histórico Municipal do Porto
Tel. 222 060 423
casadoinfante@cm-porto.pt