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Destaques

Abertura à diferença em debate sobre os refugiados
04-07-2017

"Refugiados: Refletir, Decidir, Intervir" foi o tema do debate que a JPAB Advogados realizou na segunda-feira ao fim do dia na Casa do Infante. O encontro contou com o apoio institucional da Câmara do Porto, uma autarquia que "tende a discutir as ideias diferentes". O elogio partiu do advogado e ex-ministro José Pedro Aguiar-Branco, que abriu uma sessão em que interveio o presidente da autarquia, Rui Moreira.




O debate revelou-se tão mais pertinente por, de repente, parecer que "já não existe o problema dos refugiados Mas ele está lá" - alertou Aguiar-Branco, numa crítica à agenda mediática e política que fomenta esse esquecimento. Neste contexto, advertiu que o "combate à ignorância, inimigo público das sociedades, é se calhar a prioridade" numa democracia que se deseja "inteligente".


Salientando que a sessão foi concebida no "reconhecimento de que não se sabe tudo" e como manifestação da "disposição para aprender", o ex-ministro enalteceu por isso o papel da Câmara do Porto, destacando "os últimos quatro anos de uma presidência aberta, democrática, que discute e tende a discutir as ideias diferentes". Aguiar-Branco destacou, neste âmbito "o contributo da cidadania das diversas instituições para a formação do pensamento", considerando por isso "absolutamente sincera esta cooperação e este apoio institucional que a Câmara dá a esta iniciativa".


Sobre o tema do debate, o presidente da Câmara do Porto lembrou: "Nós, portugueses, já estivemos dos dois lados. A questão das migrações, dos refugiados, também diz respeito à nossa História", indicando que "não temos de recuar mais de 100 anos" para chegar a factos.


Como lembrou, durante a guerra civil de Espanha muitos portugueses "foram combater ao lado dos republicanos". Terminado o conflito, "não puderam voltar para Portugal. Sabiam o que lhes iria acontecer. Muitos deles foram para França à procura da liberdade". Depois "sofreram com a invasão nazi". Foram, inclusive, "heróis na resistência ao nazismo".


Rui Moreira aproveitou a ocasião para anunciar que "a Câmara do Porto encomendou um estudo, que está neste momento a ser feito em Portugal e França por José Manuel Barata Feyo, para contar essa história esquecida dos portugueses que andaram neste refúgio permanente". Como disse, será "um livro muito interessante; vai contar uma história da nossa História que nós não conhecemos e os franceses também não".


Mas este não é o único episódio que chama a questão dos refugiados e das migrações à História de portugueses e de Portugal. Noutros períodos "uns fugiram porque não queriam ir para a guerra, outros porque não encontravam condições de vida" no país. Houve depois o regresso de inúmeros cidadãos, "há quem diga um milhão de portugueses", das ex-colónias.


Ou seja, "este é um problema que já se colocou connosco. Esta é a reflexão que quero deixar. Isto obriga-nos a um muito maior sentido de responsabilidade do que a muitos outros", atentou o autarca.


"Refugiados e imigrantes: o que os une e o que os distingue", por Sofia Pinto Oliveira; "Solidariedade Europeia à prova: a questão dos menores não acompanhados", por Ana Rodrigues; "A Plataforma de Apoio aos Refugiados: Portugal na linha da frente da mobilização da sociedade civil", por Tiago Marques; "O Programa de recolocação - o caso Português", por Paulo Conceição, foram os painéis integrados no debate.